Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

terça-feira, 30 de abril de 2019

Afeto


Sentir você por perto
Aumenta o meu afeto
Embora esteja distante
Creio ser como antes.
De crença ninguém vive
Mal o amor sobrevive
E eu sigo mais inquieto
A tentar cuida do afeto.
O seu afeito já não sinto
O fim é o que pressinto
Todo o dia estás calada:
Já não significo mais nada.


segunda-feira, 29 de abril de 2019

Destino


Tento recuperar o brilho
Deum dia todo poluído
Quando consigo reconhecer
Vejo que perdi você.
A pior derrota é a minha
Perdi você para si mesma
Nem adianta perder a linha
Pois eu não tenho defesa.
Estar iludido parece
Ser coisa do destino
Ainda que vida em prece
Estarei me iludindo.
Resta-me acreditar
Talvez ocorra milagre
E pelo tanto a espera
Quem sabe eu me consagre.


domingo, 28 de abril de 2019

Brejeiro


Nosso mundo
Não é deste mundo
Muito mais profundo
Que qualquer segundo.
Ainda que eu seja segundo
Posso ser o primeiro
A beijar tão profundo
Este teu corpo brejeiro.
Mulher que sabe o que quer
Embora comigo não esteja
Estou para o que der e vier
Embora você não o veja.
Ao roubar o teu beijo
Aproveitei o ensejo
E suguei o teu seio
Que nunca mais vejo.