Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Esporadicamente

É pouco o que tenho agora
Você não é minha senhora
Domina todo o meu ser
Pela força do querer.
É por te querer que aceito
Não dormir no teu peito
Se acontecer algum dia
Será minha maior alegria.
Se for esporadicamente
Manterei você na mente
Por conta do amor vivido
Que jamais será esquecido.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Quando quer

De ti faço minhas rimas
Às vezes até sem clima
Para o teu ser alegrar
E prepará-la para me amar.
Afastar todos os medos
Guardar todos os segredos
Como merece uma mulher
Quando demonstra que quer.
Assim, também te quero
E uso do verbo venero
Para demonstrar a querência
O sofrer com tua ausência.
Ainda que proibida
Saudade deve ser sentida
Porque sonho se vivencia
Quando se quer alegria.


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Sem céu

O tempo para o nada é pouco
Se o tudo pouco me der
Ao léu sou nuvem sem céu
Vagando a procurar seu destino.
Como fico se você não está
Não tenho a quem possa amar
Elevo preces sem respostas
Tuas ausências são impostas.
A vida nem sempre imita a arte
O que se cria é fantasia
Você não passa de ilusão
Estou sem céu e coração.