Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Afinidade

Às vezes nem parece verdade
Amor com tamanha afinidade
Feito de intensa fúria
Misturado com ternura.
Nos comemos com o olhar
Antes de o corpo disparar
Ao invés de doce ternura
Começa nossa loucura.
Arrancamos nossas roupas
Somos duas pessoas loucas
Queremos todo o prazer
Ainda que algo venha a doer.
Importa viver o momento
Deste amor louco e sedento
Que depois da saciedade
Redescobre a afinidade.


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Plasticidade

Tão viril quanto soberano
Dono do tempo, dos anos
Que nos grudam ou separam
Marcas que jamais saram.
Por serem de amor tão raro
A ti encontro até pelo faro
Desdobro-me em movimentos
De raros e novos elementos.
Que formam a plasticidade
Demonstram a incredulidade
Desde quando começou
É louco este nosso amor.
Que em nós se perpetua
Como uma bela tatuagem
E quando te vejo nua
Penso ser sempre uma miragem.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sobrenatural

Tenho espasmos de desejo
Até quanto te vejo
O corpo beira a explosão
Pulsa todo de tesão.
Se me tocas, estremeço
Não te vejo e adoeço
A vida fica estremecida
Sem um ponto de partida.
Fica sem brilho ou enfoque
Motor que perdeu o torque
Até de longe tenho fome
Aumenta quando você some.
Em desejos, o corpo explode
Sem barreiras, tudo pode
Nossa entrega é total:
Amor quase sobrenatural.