Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Destoa

Deixa que eu te morda a língua
Que eu te arranque, linda
Pele de Leoa.
Por entre os teus pelos,
Descobrir segredos
TUDO o que destoa.
Abaixo as tradições
Todas as prisões
Vivamos numa boa.


domingo, 24 de setembro de 2017

Agadir

Deixo-me levar
Pela sedução do olhar
Quando me comes ao dirigir
Estes olhos de Agadir.
Povoado no Atlântico
A romper o meu Ártico
Vences o meu espanto
Com este desejo antártico.
A TUDO você me induz
No momento em que seduz
Sou terra, mar e ar
Sem ter para aonde ir
Vou parar em Agadir.


sábado, 23 de setembro de 2017

Episódios

O futuro não me ilude
Nem com seus prelúdios
Pois tem base nas escolhas
Do passado e do presente.
Incontestáveis episódios
Indicam o que há de vir
E que me venha o futuro
Que, pelo visto, será sem ti!