Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sábado, 27 de agosto de 2016

Crucificado

O que sinto, talvez seja
Falta de uma Igreja
Onde eu possa ajoelhar
Ser livre para adorar.
Beijar pés, lavar mãos
Fugir de sentimentos vãos
Ter certeza que existo
E não fazer papel de Cristo.
Sinto-me desanimado
Fui por ti crucificado
Resta-me a homilia
Por viver sem alegria.
Além dos pregos nas mãos
O sangue jorra dos pés
Estaca no coração
Tratado como os infiéis.


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Letal

Decidi, não quero mais sofrer
Por todo este imenso querer
Quando sou ignorado por ti,
Vale a pena estar qui?
Deixei uma nota fiscal
Em lugar de promissória
Será esta dor tão letal
Ou é coisa provisória?
O meu coração transpassa
Dor fina, que não passa
Talvez você já tenha esquecido
O tudo que foi vivido.
E quando isso acontece
O amor inteiro fenece
E o que era tão vital
Vira uma coisa letal.


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Inseguro

Procuro minha alegria
Cansaço ao final do dia
Marcas da ilusão
De uma intensa paixão.
Talvez por aquele abraço
Hoje nem sei o que faço
É tanto tempo sem tê-lo
Meu medo é esquecê-lo.
E que seja de vez
O fim desta insensatez
De sonhar com o futuro
Quando o presente é inseguro.