Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Provação

Estou em ti quando quero
Minha mente me faz chegar
Por isso não me desespero
Se tenho de ti esperar.
Por espero até o dia
De retomar nossa alegria
Caso antes venha a morrer
Será sem te esquecer.
Esperar é a minha sina
Uma provação divina
Para testar a capacidade
De te amar de verdade.
Para o todo de ti lembrar
Até não mais esperar
E poder ao teu lado
Sonhar presente no passado.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Liquidamente

Meus dedos não conseguem mais
Reter você que se esvai
Liquidamente se afasta de mim
Como se não estivesse mais afim.
E esquecido tudo o que passamos
O tanto que nos amamos
Para te talvez não tenha sido
Lembrança de o que foi esquecido.
Desenhos se espalham na mente
Nada se torna mais aderente
Flashes de o que foi prometido
Somos o que foi proibido.
Carnes que já não se desejam
Bocas que não se beijam
Lembranças são como raios
Que teimam em dizer “não saio”.


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Giz

Em ti me desenhei com giz
Nas veias te fiz matriz
De algo que eu jamais poderia
Imaginar que existiria.
Depois, com um giz colorido
Pintei o sangue dolorido
Da separação iminente
Dor que dói permanente.
E não sara no arco-íris
Das cores da tua Íris
Pintadas em algodão
Na palma da minha mão.
Dos gizes os pós se espalham
E o peito fica em frangalhos
Se um dia eu te perder
A morte o giz não vê.