Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Outros barcos


Novos rios
Novos mares
Outros barcos
A singrar.
Verdes vidas
Foram perdidas
Por falta
Do verbo regar.
Água demais mata a planta
A falta dela, mais ainda
Poluição destrói a floresta
Outros ares, outros barcos...


domingo, 15 de setembro de 2019

Tudo


Todos os momentos
Todos os sentimentos
Tudo o que mais quero
E ter tudo com você.
Ter você em tudo
Estou mudo
Pela falta de tudo
Com você.


sábado, 14 de setembro de 2019

Carícias


Às vezes, um toque
Um gesto de olhos
Um aceno de mão:
E se renova a paixão.
Nem precisa de beijo
Ou mergulho no Tejo
Para se renovar o amor:
Basta um pouco de calor.
Do fundo dos olhos
Do centro das mãos
De todos os poros
Carícias não são em vão.