Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Façanha

Minha felicidade foi tamanha
Quando te toquei naquele dia
Uma inimaginável façanha
Melhor que acertar na loteria.
Um mundo de sonhos se abriu
Algo que ninguém jamais viu
Valores não conseguem medir
TUDO de ti que eu posso sentir.
Somos um só em muitos dois
NADA pode ficar para depois
Na hora que nos amamos
Talvez o mundo esqueçamos.
Só nós dois existimos
E a tudo resistimos
Ter você foi uma façanha
A dominar minhas entranhas.


terça-feira, 25 de julho de 2017

Angústia

Tento não sucumbir
À dor que me corrói
Por dentro me destrói
O que faço para resistir?
Fantasmas me angustiam
Gnomos me desafiam
Sombras nas paredes
Será que não vedes?
Personagens nas telas
E eu aqui em esperas
Angustiantes momentos
Eterno é o sofrimento?
Nem ouço mais tua voz
O que será feito de nós?
Nada será como antes:
Sinto dores asfixiantes.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Arpejos

Só quem não conhece a dor
Dispensa o prazer do amor
Amor sem dor é pena sem tinteiro
Quero-te pintada em mim o ano inteiro.
Feito canção que não sai dos ouvidos
Ouço os teus sensuais gemidos
Como arpejos de ingênuos anjos
Eu e você somos os arcanjos.
Sem pecado venial
Nosso amor especial
É real, mas, saiu dos sonhos.