Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Utópico


Você,
Meu copo?
Topo!
Desde que não seja utópico.
Nem amor adolescente:
Apenas quente!
Quero o fogo do tesão:
Larva de vulcão!
Que não dure para sempre,
Mas, seja capaz de corroer a mente.
Mastigar os sentidos
Saborear os ouvidos
Não soltar tuas lembranças:
Eis a minha esperança!


terça-feira, 19 de junho de 2018

Devoções


Este sorriso aberto
Incerto
Encontro de emoções
Devotas devoções.
De quem mira
Na pupila
E se abrem nos cantos
Dentes brancos.
Cabelos soltos
Envoltos
Em ardências escondidas
Queimam espremidas.
O corpo te quer
A mente se envergonha
Mas,
Sonha.
Você é mente
Quente
Muito mais crente
Que um simples corpo de mulher.


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Aveludada


Na maciez dos teus olhos
Ou tu voz aveludada
Tímida, porém, amada
Capaz de tocar meus poros.
E penetrar meus sentidos
De modos nunca sentidos
Você parece acanhada
Quando sonha ser amada.
E me faz pensar em coisas
Que eu nem deveria ter
Você e eu, são doidas
Alegrias de querer.
Nem que eu vá a Mariana
E lá chegue de joelhos
Pagarei a promessa insana
Dos teus aveludados desejos.