Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sexta-feira, 24 de março de 2017

Quisera

É pouco provável
Que sejas minha
De modo louvável
Como eu queria!
Ainda assim quero
A ti venerar
Como te espero
Poder te amar.
Mais uma vez
De novo e sempre
Sem lucidez
Lamber o teu ventre.
Domar o teu corpo
Você minha fera
Do modo mais louco
Que eu sempre quisera.


quinta-feira, 23 de março de 2017

Desejas

Pouco posso fazer
Para acalmar você
Momentos de aflição
Escondem a emoção.
Que sentimos a sós
No limite de nós
E nosso prazer
De descobrir você.
Eterna, musa, mulher
És minha quando quer
Sou teu quando desejas
Tudo o que desejas.


quarta-feira, 22 de março de 2017

Ida e volta

Você se aproxima,
Diz que me ama
Depois se isola
Quase me ignora.
Não telefona
Nem manda mensagem
Vivo de longe
Sem ver tua imagem.
Ida e volta,
Às veze revolta
Estou sem você:
Há pouco a fazer.