Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Entredentes


Desenhos obtusos se movem ao longe
Nas nuvens.
Desenho você
Na mente.
Aumente
As lentes
Entredentes
Mordo a língua de saudades.


quinta-feira, 30 de maio de 2019

Marcas


Todas as angústias
Aqui vividas
Resultam das astutas
Marcas e feridas.
Deixada pela vida
Ao longo da caminhada
Na qual você querida
Fez coisas erradas.
E também as fiz
Mas isso não contradiz
Nossa condição de humanos
Pois, sempre, erramos.
Acertos foram maiores
Que os erros cometidos
Não seremos algozes
Dos nossos frutos poibidos.


quarta-feira, 29 de maio de 2019

Em falso


Meus passos em falso
Refletem no asfalto
Minhas insegurança
E desesperança.
Não creio em mais nada
Nem quero a estrada
Que a mim guiava
Quando em nós acreditava.
Hoje tenho certeza
Que juntos nunca ficaremos
Não é da natureza
Que com isso sonhemos.
Antes fui avisado
No sonho acreditei
Hoje, desesperado:
Vejo que me decepcionei.