Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

domingo, 6 de novembro de 2011

Roupas


Peles por sobre a pele
Cores quase incolores
Odores evocam o vestido
Que não o quero contigo
Nem em ti.
Meias, sapatos, adereços
Tiramos tudo.
É o começo.
De um jogo:
“Como viemos ao mundo”.

Descoberta


Aperto a mão
Num abraço simbólico
Bucólico
Eufórico.
No bico dos dedos
Descubro segredos
Tatuados em ti.

sábado, 5 de novembro de 2011

Frestas


Não abro fendas
Começo por orifícios,
Furos e cortes.
Mortes provocadas
Se forem nas veias.
O sangue pulsa
Chega às extremidades
Esvai-se.
Foge
Pinga na ponta dos dedos.
Um vulto de mulher
Desenha-se à janela.
Será ela?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Reflexos


Cabelos brancos, dizem,
Refletem a idade.
Nem sempre espelham saudade.
Bondade de uns
Beleza de outros
Marcas no rosto
De um tempo:
Solitário burilador de mentes.
Ausências presentes:
Vidas em vidas que se vão.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Desencontros


No banco da escola
Nem vias minha bola.
Meus olhos só viam os teus.
Caminhava pro Sul
Cruzavas rumo ao Norte.
Reencontros no Facebook
Crash na vida real.
Eternos amantes do Ciberespaço
Jamais se encontram ao natural.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Empenho


Dedico cada segundo do meu tempo
A atingir o intento
De conquistar teu sorriso.
Nem tua atenção consigo.
Esboçada em um olhar.
Ignoras se existo
Ainda assim persisto.
Nesse jogo infinito
De me fazer exergar.

terça-feira, 1 de novembro de 2011