Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Limites


Égua-te!
Que ego é esse!?
Que não tem fim,
Nem começo!
Não sei o endereço.
Ah! Deixa pra lá!
Melhor mundo que esse não há!
Se não for o “melhor do melhor do mundo”
Serei morador profundo
De um “fim de mundo sem fim”.

domingo, 13 de novembro de 2011

Acidentes


Pessoas se encontram
Separam-se.
Como flores murchas e vivas
Da mesma planta.
Desço do pedestal
Tropeço nos pensamentos
Escorrego nas lembranças.
A saudade me trai
Levanto!
Você cai
Nos meus braços de novo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sensibilidade


Comumente
Muitos mentem
Quando dizem:
Homem não sente.
Este ser
Não é macho
Nem fêmea.
Só não sangra.
Mas ama.



Nuvens


Chuvas
De luzes
Espumas
É Natal de um lado
Em Gramado.
É Natal do outro
Da outra
De quem estiver comigo.
Amigo? Amiga?
Nenhuma dúvida.
Abraços trocados
Saudades marcadas
Outros encontros?
Talvez jamais.
E daí?
Viver é aproveitar cada segundo
Ao lado quem te pôs o mundo
Para que cada nuvem pessoal
Seja o limite do sonho real.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fogo


Chamas
Danças
Olhos a brilhar
Tholl a luzir
Salão de Atos
De fato
Um ato de amor.
Bailarinos
Bailarinas
Deslizam palco adentro.
Cá, olhos atentos
Cinzentos
Brilhantes
Fulgurantes
No compasso incrível
De algo inesquecível.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Circo


Luzes
Sons
Cores
Palco
Talco
Plateia em êxtase
Artistas iguais
A vida em círculos
Circo
De horrores
De amores.
Palhaços em matizes
Fazem do riso
Motivo de risos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011