Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Instintos

O homem é uma besta
A mulher: besta.
Bestiais.
Animais sexuais.
Um vem, outro vai.
Um entra, o outro sai.
Portas fechadas: o que resta?
Nada!


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Controle


Você aparece, arranca meu sorriso
Perco o equilíbrio, tento enlouquecer.
Não consigo ver, o que me demonstras.
Saio de mim, entro em você.
Você penetra meus poros.
Mordo, a ti e me devoro.
Não me controlo.
Veja em que me transformei
Talvez nunca te tenha.
Mas posso dizer: te amei.

Fragilidades


Fazer amor não é ser amado
O nome disso é sexo.
Fazer sexo nem sempre é fazer amor.
O nome disso é eufemismo.
Usado pela humanidade
Para esconder que age por instinto.
Maldito animal sexual que existe em nós
Que desata todos os nós.
Rasga convenções
Expõe fragilidades
E deixa um vazio em lugar da saudade.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Julgamentos


Não me julgue pelo que pensas que dou
Nem pelo que deixei de te dar.
Se não consegui me entregar
Você também não se doou.
Doeu, dói faz sofrer?
Mas um dia há de passar.
Amores passam, a vida fica
Dores também hão de nos marcar
Importa viver, chorar, sorrir
Marcar sem nunca ferir
Se fui, não sou, o amor passou?
Da mente não vais me tirar.

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sábado, 10 de dezembro de 2011

Curvas


Você está em mim
Até quando escurece
Madura flor
Essência em pétalas
Perfeitas curvas, uvas, vulva.
Respingos, pingos, gotas...
Brotam grutas a explorar.
Viagem,
Meu transe
Minha transa,
Orgasmo mental
Dos deuses, das deusas...divino desejo.
Daquele teu beijo que me arranque o cérebro.
Engula meu sangue... sorva os miolos.
Deixe-me esquelético!
Escravo
Oh minha senhora!
Dos pelos, tua gruta...é meu travesseiro.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Reverso


Penso!
Lapidar versos talvez seja meu incenso!
Intenso!
Corto palavras, cunho significados
Recrio o espaço
Na infinita viagem mental
De provocar o outro.
Leitores, leitoras!
Não liguem para o que digo
Nem criem sonhos comigo.
Assumam os seus
Refaçam os meus
Em prosa ou verso
Vale o verso e o reverso
Dessa moeda chamada vida.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Penumbra


Convoco as estrelas para uma assembléia
Vejo pouco brilho em cada uma delas.
Perderam a luz, o élan, o fulgor,
Ou deslocam-se assazes por falta de amor?
Não rasgam o horizonte, apenas piscam
Cintilam aos poucos, não querem brilhar
Apelo aos deuses, mas eles pouco fazem
Poder sobre elas não hão de usar.
Se há algo de grave na greve de estrelas
É o jovem poeta vivê-las sem tê-las
Só há trevas, terror, heresia
Quando o escuro encobre a poesia.