Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

domingo, 7 de junho de 2015

Esfacelado

Tenho um desejo no corpo
E uma vontade na alma
Algo que me deixa louco
Arranca-me do espírito a calma.
É uma vontade constante
De viver sempre ao teu lado
Estejas perto ou distante
Contigo quero estar casado.
E dividir cada momento
Desta intensa paixão
Que, às vezes, é tormento
Para um pobre coração.
Que sofre, chora, esfacelado
Quando de ti se afasta
Eis um tormento, atormentado
Saudade de ti que não passa.


sábado, 6 de junho de 2015

Morada

Moras dentro do meu corpo
Como algo assim, meio roto
Habitas na minha mente
De modo quase indolente.
O teu corpo é minha morada
Para mim não tem mais segredo
Vivo para ti minha amada
Entrego-me inteiro, sem medo.
Cada milímetro do meu corpo é teu
Nenhum dos dois se esqueceu
De todos os momentos vividos
Inclusive os mais sofridos.
Por isso moramos um no outro
Sem os limites do corpo
Um amor quase demente
Não tem limites nem na mente.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Entrega

A ti entrego o meu corpo
E a minha alma inteira
Como se fosse um louco
A viver sem beira nem eira.
Senhora do meu pensamento
Dona de tudo o que é intenso
Servo sou dos teus desejos
E escravo dos teus beijos.
A usar dessa servidão
Para ser teu de coração
Em tudo o que há de mais sagrado
Permanecer, pra sempre, ao teu lado.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Unicidade

O que me faz único
É crer na unicidade
E na felicidade
Que o teu amor me impôs.
É não deixar para depois
O que nos deu o agora
Deixar que em nome de nós dois
Você se tornasse minha senhora.
Dona de tudo o que tenho
Do pensamento ao empenho
Das dores que sempre escondo
E da felicidade que exponho.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Ungido

Posso senti-la
De onde estiver
Para servi-la
E tê-la mulher.
Ser o teu homem
Ou teu marido
Mesmo com fome
Sentir-se ungido.
Por tua força
Fêmea feroz
Quando esboças
O muito de nós.
É pouco sem ti
Se não estás aqui
É tudo saber:
Que és meu querer.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Avidez

Em tuas mãos tens o meu corpo
Em teu corpo tens a minha alma
Na tua alma tenho minha calma
A tua calma me deixa louco.
Louco fico, de desejo
Até quando te vejo
Mais aumenta o meu tesão
Se toco o teu coração.
Pois ao tocá-lo, acaricio
O teu mamilo macio
E na maciez da tua pele
Sinto o branco da neve.
E o gosto da uva
Está nos lábios da vulva
Que sugo com avidez
Teus lábios e tua tez.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Escolha

Não escolhi, fui escolhido
Para viver este amor contigo
Que de tão incrível
Parecia ser impossível.
E, talvez, ainda o seja
Por tudo o que enseja
Teremos imensa sorte
De vivê-lo até a morte.
Porque a vida escolheu
Fazê-la minha e eu teu
Amor de intensa doçura
Com ares de doce loucura.
Amar alguém assim
Como se não houvesse fim
E ainda que tenha escolha
Não quero que esse amor morra.