Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

domingo, 14 de junho de 2015

Creio

Creio
Nada é feio
Se há amor.
Creio
Na pureza do teu seio
Como creio
Na flor.
Nos lábios
Pequenos e serenos
Enormes, obscenos
Seno
Nossa matemática
Não tem cálculos.
Creio
Até na crença
Que a tua ausência
É passageira.
Creio
Anseio
Desejo teu beijo.


sábado, 13 de junho de 2015

Inimaginável

É extasiante
Amor tão pulsante
Nada igual, antes
Nos impulsionou.
O hoje e o ontem
Não são comparáveis
Pois estarmos juntos hoje
Era inimaginável.
Você em mim é lindo
Eu em você, divino
Amor que nos faz mais puro
E me deixa mais seguro.
Certo de que viveremos
Este amor como queremos
Juntos de qualquer maneira
Para sempre e a vida inteira.


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Enamorados

Hoje estamos assim
A viver uma paixão sem fim
Completamente dominados
Por um impulso: enamorados.
Algo sublime e teimoso
Puro ou sem decoro
É como se fosse um enlace
Algo que de nós tomasse.
E, no ímpeto, tirasse
Toda a sensatez
Que, se um dia, existisse
Foi perdida de vez.
Em nome de um amor
Inimaginável, impossível
Enamorados até na dor
Tudo é mais que incrível.
Tomou conta do corpo
Apropriou-se da alma
E se pode nos deixar louco
Também conforta e acalma.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Depois

Depois de nós
Ouço a tua voz
A me dizer
Quero você.
Antes de mim
Não era assim?
Nunca ouvias
O que sentias.
Depois do gozo
Vem nosso sono
Grande esforço
Lindo abandono.
Noite sem fim
Se nos amamos
Amor assim
Sem desenganos.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Saudoso

Estou saudoso de ti
Dos teus carinhos em mim
Da tua boca colada
À face avermelhada.
Pelas mordidas ávidas
Na tua alma molhada
Pelo prazer do meu gozo
O teu que no todo sorvo.
Para abafar os gemidos
Os teus urros e gritos
Eis-me aqui, saudoso
Do gosto do teu gozo.


terça-feira, 9 de junho de 2015

Pegadas

Pegadas não marcam a praia
Com tanta profundidade
Quanto marca a tua saudade
Ao deixar que você saia.
E vá embora sem mim
Como as espumas somem na areia
É uma dor quase sem fim
No horizonte some a sereia.
Imaginária que habita meu mar
De sonhos que tenho ao te amar
Engolidas se vão as espumas
Pelas areias e as dunas.
Assim como engolido fico
Pela saudade e pelos sonhos
Da solidão do mar desisto
Para não ser enfadonho.
Quero-te aqui, comigo
Vem para ser o meu abrigo
Na areia, na praia, no mar
Em tudo quero te amar.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Guriri

As espumas brancas
Da Praia de Guriri
Traz doces lembranças:
Por que não estás aqui?
O mar é uma imensidão
A areia: quase deserta
Bate uma solidão
A saudade desperta.
A brisa sopra forte
Espírito Santo do Norte
Como consigo aguentar?
Tua falta é de matar.
Queria vocês nos meus braços
Nas luzes escuras do quarto
Na Praia de Guriri:
Falta você aqui!