Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sábado, 9 de abril de 2016

Ataques

Talvez não seja fácil entender
O meu modo de se afligir
E até de a todos emitir
Meu jeito de te defender.
Sou capaz de me importar
Ainda que finja não me tocar
Mas, se és capaz de me dizer
O quando entendo você.
Reafirmo do mesmo jeito
Ao me encostar em teu peito
E deixar que as coisas vãs
Não toquem o nosso amanhã.
Em ti vivo, por ti morro
E sempre vou ao teu socorro
Por te amar de verdade
E reconhecer tua bondade.


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Prece

Quero sentir o gosto da tua pele
Na ponta da minha língua
Para não morrer à míngua
Com tudo o que me impele.
E me lança em direção
A esta loucura-paixão
Que me fez perder os sentidos
Com todos os proibidos.
Que se nos aparecerem
E os seres entorpecem
Se a vida é para ser vivida
A minha ainda é sofrida.
Por não te ter todo dia
Para sentir a alegria
De amá-la para eternidade
Com toda a intensidade.
É este o meu maior sonho
Em cada verso que componho
Queria que a vida me desse
Você que em meus dias peço em prece.


quinta-feira, 7 de abril de 2016

Fresta

No sonho que eu tinha
Você se fez rainha
Era sonho ou fantasia
O tanto que eu queria.
Tê-la inteira nos braços
Sem desfazer os laços
Luzes se fazem pintura
Em momentos de loucura.
Teu colo a mim não cala
Mas chego a perder a fala
Quando vejo entreaberta
Aquela tua linda fresta.
Que me provoca fantasia
A qualquer hora do dia
Como agora que estou
A imaginar o teu amor.