Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Braçadeiras

Em tudo que faço
Sinto tu abraço
Até nas estrelas
Estás nas veredas.
Ao descer as cortinas
Avisto as meninas
A brincar no quintal
E te sinto real.
Como se você fizesse
Aquelas brincadeiras
E em mim pusesse
Muitas braçadeiras.
Para não me deixar
Nem por um minuto
Esquecer de te amar
Você é meu tributo.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Petisco

Sou teu e não me arrependo
De viver sempre te querendo
Ainda que não te possa ter
Quando preciso te ver.
E se te vejo e não posso
O coração vira destroço
Vou-me embora trombudo
Sinto desgosto em tudo.
O coração fica quebrado:
Não tenho você ao meu lado
Quero tanto estar contigo
Não me importa o perigo.
Pois amor sem correr risco
É, sem gosto, um petisco
Que precisamos temperar
Ao começarmos a amar.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Vigor

Bate um arrependimento
De não viver todo momento
Ao lado de quem se ama
Lembro ao deixar na cama.
Dos momentos mais tórridos
Terminamos exauridos
Todos suados, quase mórbidos
De tantos gozos vividos.
Em tão pouco tempo sentimos
Mais que em toda a vida
Gritos e gemidos ouvimos
Em cada jura proferida.
Não só juramos, vivemos
Tudo o que queremos
Tesão, desejo e amor
Sentidos com intenso vigor.