Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

terça-feira, 18 de julho de 2017

Empenho

Minha saudade é intensa
Nem sei como suportar
A tua diária ausência
Capaz de me sufocar.
Espalha-se pela casa
Como se fosse rara
A vontade que tenho
É de mostrar empenho.
Para te reconquistar
Um pouco a cada dia
E ver você aqui chegar
Era o que eu mais queria.
Se não posso, resisto
E ainda mais insisto
Em que você chegue
E nunca mais me deixe.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Imortal

Desejo que não me esqueças
Que nenhuma dúvida apareça
E que o nosso amor seja forte
Capaz de superar até a morte.
Que ela não chegue jamais
E que se chegar não supere
Aquilo do nos move e apraz
E que jamais nos fere.
Que dure e seja imortal
Quanto é sensacional
Amor quase impossível
Que nasceu de algo incrível.
E se mantém ao superar
Barreiras intransponíveis
Nossas formas de nos amar
Aos outros, são invisíveis.
A nós, no entanto é presente
Louca forma, quase demente
De se entregar um ao outro
Qualquer que seja o sufoco.


domingo, 16 de julho de 2017

Visagem

Nem meio sinal de vida
Ou qualquer mensagem
Parece, minha querida
Que sou mera visagem.
Escondida nas sombras
Destas nossas pálpebras
Num piscar de olhos
Somos só escombros.
De algo que já fomos
E hoje não mais somos
Amor quase perfeito
Ficou deste jeito.
Meio ensandecido
Pelo ocorrido
Que assim não fora
Quanto fostes embora.
E para mim só voltas
Se um dia der
Mesmo sem escolta
Venha se puder.