Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Nem dói


Perto não te sinto mais
Longe, você já se foi
Tua falta, não fere mais
Nem sei se em mim dói.
Entre raros pontos
Somos mais que dúvidas
Vivemos sem encontros
Nem sequer nas curvas.
Você fora de mim
Não entro em você
Impossível estar assim
Sem o teu prazer.
Por isso não dói
Só a mim destrói
Sua vida segue
Embora você negue.


domingo, 2 de setembro de 2018

Consumido


Quando você some
A dor me consome
Destrói a alma
Tira-me a calma.
Vivo consumido
Pela saudade
Uma imensa vontade
Devo ter te perdido.
O teu sumiço
Parece vício
Que me enfeitiça:
E viça.


sábado, 1 de setembro de 2018

Eu e nós


Estávamos a sós
Somente eu e nós
Acordei da ilusão:
Pura decepção.
Estávamos mesmo a sós
Eu e a minha mente
Como um demente:
A lembrar de ti.
De nós
A sós
Só eu.