Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sábado, 21 de dezembro de 2024

Na

Na pele,
Na alma,
Na vida.
Na ira de alguns
No amor de muitos outros:
São feitos os encontros.
Energias dissipadas
Ao acaso se encontram
Do acaso é a cartografia
A marcar esta alegria.
De dois seres de encontrarem
Contra qualquer lógica:
Na vida!

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Por vezes

Por vezes desisti
Né no futuro pensar
Porque é duro insistir
Sem poder acreditar.
Em ti não mais creio
No amor não há rodeios 
Você insiste do desamor
Por vezes a me provocar dor.

Poema do dia 20/12/2024

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Sou

Digo-te que sou 
O que nunca sei ser
Talvez para esconder 
O que no tempo ficou.
E se ficou no tempo
Perdeu o melhor momento
De assim se firmar 
Na arte de amar.

Poema do dia 19/12/2024

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Imprecisões

Minhas imprecisões
Refletem as cisões 
Que no peito aparecem
Até na hora da prece.
Peço, em prece, sem pressa
Que não desapareças 
Mas se assim o fizer
Que eu, para sempre, a esqueça!

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terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Horizontes

Olho par este teu sorriso
No horizonte me divido
Entre o que parece e o que é 
Nem quase tudo é questão de fé.
Pode ser um forte sentimento 
Ou apenas um lance de momento
Seja o que Deus quiser
Você será minha mulher.
Nem que seja por instantes 
Abrirei nossos horizontes
Vida vaguei mundo afora
Eu a te amar a toda hora.

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Santo

 O dia
O dono:
Nem tanto!
O campim 
É santo:
Eu,
Por enquanto!
É santo

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Colho

Recolho
Os frutos de o quê plantei
Colho.
A cereja do tomate
Cereja que me satisfaz 
Não me abate 
E me refaz.
Fruto do meu plantio
Sem tóxicos, nascido
Embaixo de um varal
Da sombra do meu quintal.

Poema do dia 15/12/2024

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