Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Maçãs verdes

Quatorze maçãs

Verdes no pomar, 

O vento as balança,

Ensaia um dança.  

A lagarta sonha

Com asas

Antes de a folha cair.  


Poema do dia 14/04/2025


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Descalço

Treze: número do azar?

Dá azar? Mentira:

O rio sabe disso,  

Segue descalço,

A cantar baixinho.  

Uma garça parou 

Na margem mais franca, 

Branca.

O tempo, mansamente,

Fez-se carinho.


Poema do dia 13/04/2025


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Doze estrelas

Doze estrelas caíram

Como se fosse o dia da mentir

Papoulas rubras

Surgiram no trigal

Doze estrelas de abril

Como criança atrevida:  

Inventam constelações

No meio da vida  


Poema do dia 12/04/2025


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Assobios

Onze dias

Assobiaram no bosque

Doce canção.

Fautas de bambu

Desenharam uma canção

Indecisa entre ir ou ficar,  

Versos são desenhados

Nos lábios, sem tu.  


Poema do dia 11/04/2025


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Confissão

Dez horas da manhã:

O jardim se confessou,  

Entregou às abelhas

Seu mais doce mel.

O musgo sorriu

Sem mostrar os dentes

Confessos dentes

De emoção.


Poema do dia 10/04/2025


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Gotas de orvalho

Novas gotas de orvalho

No fio da teia,  

O sol as beijou,

Transformou em cristal.  

Como um ourives,

Poliu a ideia,  

E eu vi o tempo passar:

Tão leve, tão igual.

Tão gotas de orvalho.  


Poema do dia 09/04/2025


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Canção do verão

Aquela formiga

Carregando um folha

Parou e mexeu a cabeça

Ajustou os ouvidos

Pétalas caíram da amendoeira: 

Um tapete se forma no chão.

Formigas ouvem a canção.


Poema do dia 08/04/2025


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