Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Viagens

Rever fotos de um dia
Relembrar aquela magia
Que nos dominou inteiros
Desde os primeiros beijos.
Trêmulos toques mútuos
De medos e desejos
E nos libertamos das roupas
Tomados por uma ansiedade louca.
Viajamos sem limites
Donos do corpo do outro
Gozamos a cada toque
Quase chegamos à morte.


domingo, 29 de junho de 2014

Inteiro

Sinto-me inteiro
Teu por completo
Não só pelo desejo
Muito menos pelo sexo.
É por me sentir em ti
Até quando não estás
E por querê-la em mim
Pra sempre e até mais.
Assim me faço teu
Como me posso entregar
Nem sei como aconteceu
Mas vivo pra te amar.



OBS: Post do dia 29/06/2014

Apaixonado

Tenho de admitir
Sou apaixonado por ti
Morro de amores
Mas tenho temores.
Medo de te perder
Que deixes de me amar
Que venhas a entender:
Melhor e ficar como está.
Ainda assim confio
Acredito no nosso amor
Embora sempre por um fio
Sinta imensa dor.
Desesperado fico
Mas nosso amor é profícuo
Há de vencer adversidades
Até os momentos de saudade.


OBS: Post do dia 28/06/2014

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Divino

Impossível não me entregar
A este louco impulso divino
Que me faz renascer para amar
E me transforma, de novo, em menino.
Um jovem quase-adolescente
Entregue a um sonho-demente
De ser teu por toda a vida
Numa loucura ensandecida.
Perdi a sanidade e a sensatez
Tudo de uma só vez
Desde que me fiz teu por um dia
Vivo momentos de encanto e magia.
Como se uma divindade
Tivesse de mim se apossado
A feito da dor e da saudade
Meu presente e meu passado.


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Faminto

Quero-te nua
No quarto, ou na rua
Para degustá-la
Ainda que crua.
Porque crua verdade
É que a saudade
Instigam meu instinto
Deixa-me faminto.
Com fome de amar
E de ser amado
Instinto selvagem
A me provocar miragem.
Imagens de ti
A arrancar peça a peça
Deixar-me sem roupa
Numa fome louca.
De me saciar
Nesta pele leitosa
Capaz de me viciar
Quando gritas dengosa.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sem receio

Por mais que pareça
Vivo sem receio
No fundo do teu seio
Creio que não me esqueça.
Pois é lá no fundo
Que se encontra o coração
Campo mais fecundo
Pra brotar nossa paixão.
Amo-te e não te deixo
Por mais que haja dificuldade
De nada, não me queixo
Diante da felicidade.
Que tenho ao teu lado
Todos os dias da vida
Sou o homem mais amado
Por você, minha querida.


terça-feira, 24 de junho de 2014

Folhas

Quando as folhas iniciam
Um doce bailado nas árvores
As nuvens começam desenhos
Do teu corpo ao meu lado.
Afagos e fados desfilam
Teu encanto de mulher
E eu aqui do meu canto
A descobrir o quanto você me quer.
Como homem, como amigo
Igual folhas e galhos
Não tê-la será um castigo
Restam corações em frangalhos.
Se dos galhos, porém, cresceram
Ervas bem grudadinhas
Cresceremos eu ainda mais teu
Você completamente minha.