Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Medição

Será possível medir
O amor que sinto por ti?
O é pura ilusão
O que parece paixão?
Duvido que o seja
Mesmo que não se veja
Nem haja medição
Para tanto tesão.
Vivo a me entregar
Sem medidas, a te amar

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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Altos e baixos

Vivemos altos e baixos
Às vezes, não te acho
Como frutos em cachos
Há dias nos quais desabo.
Amar-te é sempre insistir
Ainda não pensei em desistir
Nada é fácil para mim
Quase impossível viver assim.
Dos baixos e altos que vivemos
Morremos e renascemos
Mais forte é o amor por você
Não quero vê-lo morrer.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cores

Tuas cores
Teus odores
Cheiros de flores
Nossos amores.
E nos invadem
Assim como ardem
Os nossos corpos
Quando estão loucos.
Descem em cristais
Gotas de suor
Quero bem mais
Nosso odor.


terça-feira, 5 de maio de 2015

Voltas

Fico por um fio
Pareço estar no cio
Choro como um rio
Com o coração vazio.
É a tua falta
Que corrói e mata
Espero a tua volta
Às vezes, sem volta.
Porém, quanto voltas
É uma alegria imensa
Emoções ficam soltas
Nessa paixão intensa.
Que se renova quando vens
E se multiplica quando voltas
O que será que tens,
Que não tenho respostas?


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Nem sei

Enquanto estou aqui
Nem sei se sofres lá
Não posso estar aí
Nem podes chegar cá.
Dilema de quem ama
E perto não está
Você olha para cama
O vazio é de matar.
Nem sei se aguento
Tudo por tanto tempo
Só sei que resisto
Porque no teu amor acredito.


domingo, 3 de maio de 2015

Tranquilo

Tranquilo espero
Como te venero
Em adoração
E pura emoção.
Fé inabalável
No amor inigualável
Que você a mim dedica
Mesmo quando longe fica.
Por isso a tranquilidade
Apesar da saudade
E da falta que fazes
Espero, ainda que retardes.
A chegada aos meus braços
Para sucessivos abraços
Nosso amor incondicional
É forte, mais que normal.


sábado, 2 de maio de 2015

Um jeito

Quando o tempo passa
E não nos encontramos
A vida parece que se arrasta
E o mundo vai se acabando
O clima fica de angústia
Gira em torno da ansiedade
Não há nenhum tipo de astúcia
Que me faça superar a saudade.
Uma profunda tristeza
Se instala no peito
Então busco na grandeza
Do nosso amor um jeito.
De suportar tua falta
Que tanto, aos poucos, me mata
Para aguentar sobreviver
Até não mais te perder.