Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

segunda-feira, 28 de março de 2016

Duvidoso

Toda a saudade que sinto
Ao olhar para o recinto
É porque não te encontro
Em nenhum lugar ou ponto.
Da casa, do quarto, da cama
Saudade que dói e assombra
De mim retira a paz
Nada que faço me apraz.
Se não estás fico nervoso
Tudo se transforma em duvidoso
Não confio mais no futuro
Até o hoje é inseguro.
Apego-me com o ontem
É como olho o horizonte
Só acredito no amanhã
Se a espera não for vã.


domingo, 27 de março de 2016

Poetas

O que digo em palavras secretas
Serve para inspirar os poetas
Que amam criar amores
Mas não poetam seus horrores.
Porque os horrores de poetas
São pinturas dos estetas
A te desenhar em telas
Em formato de caravelas.
Velas para que eu finja tê-la
Como uma cadente estrela
A descer do alto dos céus
O meu mais lindo troféu.
Presente de um Deus infinito
Que me fez tudo mais bonito
Desde o dia em que te amei
E nunca mais te deixei.


sábado, 26 de março de 2016

Expurgo

Sinto uma sensação estranha
A me tomar as entranhas
E se apossar do meu ser
Quando encontro você.
É como se o mundo ruísse
Sem eu ninguém assistisse
Ao meu dilúvio final
Desabo de forma especial.
E me entrego aos teus pés
Como o maior dos fiéis
Se curva aos pés do criador
A comprovar todo o seu amor.
Faço o mesmo e a ti me curvo
E todos os meus pecados expurgo
Para fazer jus ao teu amor
E te adorar em pleno esplendor