Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Só saudade


Teus olhos me ficam
Com olhos de insanidade
Penso que é desejo,
Mas, parece só saudade.
Dos nossos tempos
Vividos a dois
Não faz mais sentido
Você já se foi.
E nem mais parece
Que queiras voltar
A mim me enlouquece
Viver sem te amar.
Já não mais resisto
Nem sei se insisto
Nesta relação
Que é só ilusão.


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Irreais


Para mim, a chuva
Você tem a água
Teus dedos, luvas
A mão, a mim afaga.
Irreais recordações
De infinitas emoções
Juntas foram sentidas
Parecem não ser vividas.
Porque você me isola
Depois que foi embora
Pareço não existir
Já nem sei te sentir.
Devem ter sido irreais
Todos aquele “ais”
E intensos sussurros
Quase feito urros.
Que juntos sentíamos
Pelo amor que fazíamos
Hoje nem recordamos
O tanto que já gozamos.


domingo, 26 de agosto de 2018

Por um triz


Nada me faz feliz
Creio estar por um triz
Longe, será que existe?
Amor que me deixa triste.
Viver só de lembranças
Sem perder a esperança
Peno no que foi antes:
Tenho de ser gigante.
Para não te enterrar
Em um lugar do passado
E não querer mais estar
Com você ao meu lado.
Você parece ter esquecido
TUDO o que viveu comigo
Só para comemorar
O que puder gozar.