Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Bipolar


Hoje só silêncio
Quase uma tortura
Um dia só loucura:
Outro, sofrimento.
Um dia só te amar
Depois, só saudade
Parece mais bipolar
Esta nossa realidade.
Primeiro é só gozo
Depois, vem o desgosto
Será que aguento:
Viver só de lamento?
Se for para ficar
Nesta vida bipolar
Talvez a morte
Seja uma sorte.


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Quimera


O passado me move
Rumo a um futuro
Que desenhei no presente
Sem te ter agora.
Demorada espera
Com jeito de quimera
Saudoso jeito de olhar o mundo
De escuras nuvens que se formam
E escondem o sol
Que ilumina a vida.


Insanidade


Teus olhos a me comer
Com toques de insanidade
Talvez, na verdade
Apenas um jeito de querer.
Vejo tua fome
Neste jeito de me olhar
O desejo me consome
Com este teu fixar.
Fixemos o pensamento
Na forma de juramento
Com que chegamos à idade
Desta nossa insanidade.


OBS: Post do dia 25/11/2018