Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Minino


Você apoderou-se de mim
Tomou conta da minha vida
Um anjo, quase um Serafim
Venceu a luta renhida.
Contra tudo o que haviam
Antes a ti ensinado
Hoje o que mais querias
Era estar ao meu lado.
Qualquer que seja o destino
Creio até em milagres
Quem sabe, este amor-minino
Entre nós, nunca acabe!
Ainda que o nunca seja
Com prazo determinado
Que o futuro você veja
E deixe para trás o passado!


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Cunhado


Uma hora estás presente
Na outra, inteira e ausente
De um lado o amor
Viro a moeda, é a dor.
Quem só quer felicidade
Não sabe que, na verdade
Amor e dor são lados
Do sentimento cunhado.
Estar toda hora juntos
É o desejo dos amantes
Para infinitos assuntos
Nunca iguais aos de antes.
Assim se sonha o amor
E se esquece que a dor
Convivem lado-a-lado
Assim somos cunhados.
Feitos para a felicidade
E suportar a saudade
Seja na tua presença
Ou nos focos de ausência.


domingo, 26 de janeiro de 2020

Unir


Vivemos tentando buscar
Um motivo para fugir
Quando deveríamos achar
Um modo de nos unir.
Amar assim não é pecado
Nunca deveria ser condenado
Até as Sagradas Escrituras
Abençoam nossas loucuras.
Porque a Lei dos Homens
Tenta nos condenar
Se o que nos consome
É só a vontade de amar.
Mal a ninguém queremos
Desde que nos amemos
Nunca mais devemos fugir
E sim, lutar para nos unir.