Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Paz


O branco do teu sorriso
É mais do que preciso
Traz sensação de paz
E o desejo de acordar ao teu lado.
Há acertos e defeitos
Nas batidas no meu peito
Naquilo que toca em nós
Nos sons da nossa voz.
A ti dedico um tipo de amor
Que não quer apenas teu calor
Nem só o toque do teu corpo.
O que em ti me deixa louco
É esse abraço tão gostoso
Que enlaça nosso amor.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Treze


Ponho uma dose de amor
Ao lado de três gotas de ódio
Se somar chego a quatro no total
De sentimentos um do bem, três do mal.
Porém, se ponho um ao lado do outro
Tenho treze sensações
Muitas delas emoções
De ódios e amores
Que foram e voltaram
Ou que nunca mais se repetirão
Fica a vã solidão
E a mais suja incerteza
De que tua rara beleza
É ilusão e fantasia.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Enamorados


Basta beijar a tua boca
Para te deixar meio louca
A morrer de vontade.
Toco teu corpo inteiro
Deslizo as mãos pelos cabelos
A exalar teu amor.
Teu cheiro, tua flor, excita-me
Você parece mais bonita
Na hora da entrega total.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Abjetos


Quem olha para a mulher
Como um mero objeto sexual
Perde a chance de construir
Momentos de sonhos sem igual.
Todo machista é um ser abjeto
Cujo fetiche é a mulher-objeto
De luxuria, prazer e humilhação.
Por ser abjeto não se vê objeto
Iguala-se à lógica dos animais
Ressalta instintos bestiais
Causa asco em tudo o que faz.

domingo, 10 de junho de 2012

sábado, 9 de junho de 2012

Energias


Energias dissipadas
Não se encontram nas calçadas
São sopros divinos de luzes
Corpos celestes que se seduzem
Como se humanos fossem.
Exploramos nossas galáxias
Criadas em sonhos noturnos
Ao longo das madrugadas.
Um dia esses dois corpos
Unir-se-ão em um só sopro
Na cósmica entrega do nada.
Para que tudo sejam
E transformem num só beijo
Os sonhos que juntos criaram.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Opaco


Sou tinta sem cor
Dia sem brilho
Nuvem opaca no cinzento céu.
Sou pãozinho de mel
Ao chocolate coberto
Raios por nuvens encobertos
Num estranho dia sem sol.