Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sábado, 7 de junho de 2014

Amor de amor

Quero contigo amor de amor
Não quero amor de amigo
Como amigo não poderei fazer
O que hoje faço contigo.
Muito menos poderás fazer
O que hoje fazes comigo
Porque de amigo o maior prazer
É o de saber que estou contigo.
Ainda que para estar
Abra mão do ato de amar
Na hora que mais desejo
Ter o gosto do teu beijo.
Da tua pele o sabor sentir
Urros de amor poder ouvir
Na pele o calor consome
O que nos move é a nossa fome.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Perto

Estás longe
Sinto-te perto
Meu coração
É um deserto.
Quando estás perto
E ficas tão longe
Mesmo quando chamo
Não me respondes.
Quero teu cheiro
Sempre por perto
Teu gosto de fêmea
E o teu afeto.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Imaginária

Vejo-te desfilar como em uma passarela
Imaginária, a me provocar
Até teu andar me alucina
Deixa-me louco para te amar.
E no desfile tirar a tua roupa
Imaginá-la, nua, em pelo
Dar vazão a minha vontade louca
Ser hoje teu homem e para sempre sê-lo.
Tê-la não apenas à distância
Como um desses cursos pós-modernos
Poder amá-la em plena constância
Com anotações nos velhos cadernos.
Apontamentos de um amor improvável
Por assim sê-lo, inacreditável
Inigualável, porém, ao vivê-lo
Nada seria se não pudesse tê-lo.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sorrateiro

Penso em chegar sorrateiro
Esconder-me no teu travesseiro
Para sentir o pulsar do teu gemido
A entrar pelo meu ouvido.
Sorver tua respiração
Em um ato de paixão
Cheiras parte dos teus pelos
Que me arrepiam mesmo sem vê-los.
Fazer-me presente na ausência
Como em um surto de demência
Sair da forma que entrei
Sem que percebas que te amei.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Desinibido

Tenho medo de ser traído
Pelo meu olhar desinibido
Que te come até os sentidos
Meu fruto inteiramente proibido.
Que me tornou insaciável
Com um querer inigualável
Quanto mais tenho, mais quero
Corpo sublime que venero.
A quem adoro e por assim ser
Infinito é o meu querer
Anda pelo quarto sem roupa
Pra ver se consigo te deixar mais louca.


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Promessas

Diz que vai me ligar
E não me liga
Promete me amar
Pra toda vida.
Mas me deixa um dia sem você.
Não me dá boa noite, nem bom dia
Nem e-mail, nem SMS
De joelhos, vivo, em prece
A implorar que voltes para mim.
Nem que seja por meio de chat
Ou de um Gtalk, na Internet
Até mesmo por telefone
Diz que me ama, por favor.
Deita em meu colo
Em pensamento
Vamos viver cada momento
De entrega total.
Teu corpo é meu ninho
Minha casa
Sem ti sou pássaro, sem asas
A implorar o teu amor.


domingo, 1 de junho de 2014

Grávido

Estou grávido de você
Da tua falta, do teu querer
Tua saudade em mim penetra
Como você em qualquer fresta.
Do meu corpo, teu inteiro
Faz de mim o teu viveiro
Cada espaço de segredo
Vive à mercê do teu dedo.
Podes fazer o que quiser
Engravidar-me em pensamento
O meu limite é o teu querer
Te fazes meu homem, eu tua mulher.