Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sábado, 21 de março de 2020

Impotente

Sei o que tem acontecido
Você nem consegue negar
Impotente e entristecido
Só me resta esperar.
Que o isolamento passe
E me devolva você
Ou que venças o impasse
E decidas vir me ver.
Algo quase impossível
Apesar do amor incrível
Que agora se recolhe
Talvez, amanhã brolhe.
Louvo a sua tentativa
De parecer “tudo bem”
É uma medida preventiva:
Amor igual ao meu não tem.
Nem “meu amor” podes dizer
Só conversas o essencial
Impotente, tento esquecer
O pesadelo natural.
Teu silêncio impotente
Diante desta pandemia
Deixa-me quase demente
Rouba a minha alegria.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Pensamentos

Da janela do quarto
Penso de fato
Em nós dois no ato:
Haverá momento exato?
Amor de superação
Incrível desejo, é são?
Eles vagueiam pelo chão
E se entregam ao coração.
São viagens do pensamento
Ágeis, às vezes, lentos
Nós, deitados ao relento
Cobertos apenas pelos ventos.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Amadurecimento

Enquanto o amor for maduro
TUDO fica mais seguro
Pequenos medos não tocam
Quando as pessoas se gostam.
É claro que afetações
Podem mudar paixões
Mas, se a conversa rola
Nada fica de fora.
Os dois conseguem superar
Se optaram por se amar
A vida ganha mais alento
Com este amadurecimento.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Afeta

TUDO o que te afeta
A mim, afeta também
Nosso amor é a meta
Não esqueça, meu bem!
Por isso, não se deixe
Se preciso, se queixe
Porque o amor não resiste
Quando se está triste.
Você se abate demais
Quanto algo te afeta
Triste fico eu mais
Se você não comenta.
Apenas se isola
E me deixa de fora
Fico aqui, abatido:
Sensação de ter te ferido.
Brinco e você se fere
Mas, amor não se mede
Pois com a ferida aberta
TUDO a ti nos afeta.

terça-feira, 17 de março de 2020

Gosto

O gosto do teu gozo
É mais que maravilhoso
Que que seja meu logo
Para o sempre e todo.
Nos dedos, na mão
Sorvo com sofreguidão
Ouço os teus gemidos
Que saem meio contidos.
Teus olhos semicerrados
Revejo que foi gozado.
Gozas de novo, enlouqueço
Tua clara, sei que mereço
Quero mais é te ouvir gritar
Toda vez que você gozar.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Feliz

Ver você feliz
É o que sempre quis
Espero poder interferir
E ter você aqui.
Partilhar da felicidade
Que é sentir tua saudade
Com ela até conviver
Para poder ter você.
Esperar o que for possível
Tentar este amor incrível
E se não conseguir
Feliz por estar aqui.

domingo, 15 de março de 2020

Sensações

É como se fosse hoje
O que sinto um mês depois
Sensação de ansiedade
Para te tocar, de verdade.
Não-apenas viver de lembrança
Mas, ter, de novo, esperança
De te encontrar outra vez
Como na primeira vez.
É isso o que sinto agora
Meu amor, vê se não demora
E perde o “medo bobo”
De me beijar de novo.
Quero teu peito arquejando
A língua na tua boca dançando
Os teus mamilos a sugar
Para você, molhada ficar.
Chego na tua intimidade
Sinto teu gosto de mulher
Sorvo a tua felicidade
Gozamos até onde der.
Não paro de sugar você
Que geme de tanto prazer
E basta você me triscar
Para eu, de novo, gozar.