Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Resposta

Em ti vejo desejo
Até quando estamos longe
Qual será o segredo
Que este nosso amor esconde?
Se eu tivesse resposta
Nem a ti perguntaria
Viveria como gostas
Toda essa nossa alegria.
Mas respostas não tenho
Por isso vivo a perguntar
E a demonstrar o empenho
Com que vivo pra te amar.
E entregar os meus sonhos
Da forma como vos exponho
Deixa de ser fantasia
Passa a amor dia-a-dia.


domingo, 27 de dezembro de 2015

Contemplação

Perco a noção do tempo
Sinto apenas o toque do vento
Ao deixa-la sem roupa
E ouvir tua voz rouca.
A pedir que eu não pare
Que o teu corpo explore
Ainda que eu não fale
E só te olhe e adore.
Talvez a contemplação
Seja a marca do tesão
Que sobe por todo o corpo
A ponte de me deixar louco.
Então eu me ajoelho
E te toco com os dedos
Exploro os suaves pelos
Atendo os teus apelos.
Não contemplo, agora mordo
Cada gota tua, sorvo
Os teus grandes lábios quentes
Entorpecem a minha mente.


sábado, 26 de dezembro de 2015

Cultivar

Hoje não vivo só para te amar
Vivo, também, para cultivar
O TUDO de você em mim.
Alimento-me da saudade
E sinto toda a intensidade
O teu amor me faz assim.
Inteiro, entregue ao desejo
A sonhar com o teu beijo
Nosso amor não tem idade.
Supera o sofrimento
Quando se vive o momento
E se vence a saudade.