Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Frutas

É no gosto do morango
Que sinto o quanto te amo
Ao trincar os dentes e morder
É como se tocasse você.
Com os dentes afiados
De um homem apaixonado
Que adora mordiscar a vida
Para te fazer se sentir querida.
Fruta minha preferida
Que se não fosse morango
Também poderia ser jambo
Para gozarmos a mordida.
Dentes que marcam tenra carne
Da tua boca que arde
Teus lábios vivo a sorver
Impossível te esquecer.


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Intensa tez

De tudo o que senti
Na primeira vez que te vi
Nada se compara ao todo
Daquele primeiro gozo.
Entrega total de dois seres
Cheios de intensos quereres
Que mal poderiam imaginar:
Um dia viriam a se amar.
Deixamos que a intensa tez
Fosse transformada ao jambo
Para perdermos a sensatez
E dizermos “eu te amo”.
Depois deste dia, então
Vivemos esta paixão
Que nos corrói, mas acalma
Até a tez da alma.


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Brotação

Do teu ventre, virgem mata
Transbordam em cascata
Cachoeiras do teu gozo
Que avidamente sorvo.
Sinto o teu líquido quente
A escorrer dente a dente
Gotas invadem as narinas
É teu cheiro de fêmea feminina.
A se impregnar em cada extremidade
Do meu corpo para deixar saudade
Na língua o teu gosto de mulher
Comigo fica onde eu estiver.
E quando longe estivermos um do outro
Teu cheiro volta em meu sorriso maroto
Para eu lembrar de tudo o que fizemos
E ter as marcas do tanto que nos queremos.


terça-feira, 11 de agosto de 2015

Mais

Quero me impedir
De pensar tantas loucuras
Quanto não estás aqui
Esqueço nossas doçuras.
Fico ansioso por mais
De tudo o que você faz
Desejos não são desfeitos
Quando se ama desse jeito.
Parece até obsessão
Este extremo tesão
Que toma conta de mim
E te deixa assim.
Cega, louca de vontade
De se entregar sem maldade
Apenas pelo prazer
Do amor a nos envolver.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sofisticado

Meu poema não é gurmet
Não quer impressionar você
Nem parecer sofisticado
Ou por demais temperado.
Nada aparece em excesso
Sequer uma ponta de verso
Tudo sempre faz sentido
Quando estás comigo.
Mas se te vais, pago o preço
Da dor que bem sei, não mereço
Um amor, assim, tão sofisticado
Pode ser mal-interpretado.
De tanto que tudo sentimos
A inebriar nossos destinos
Perdemos todos os abrigos
Na incerteza dos perigos.
Amor que nos tira do prumo
E faz a vida perder o rumo
A euforia e a insensatez
Nos fez perder a lucidez.


domingo, 9 de agosto de 2015

Criança

Ao estar aqui
A lembrar de ti
Sou uma criança
Cheia de esperança.
Um dia crescerei
E a ti terei
Sempre ao meu lado
Estarei casado.
Sonho de criança
Cheia de bonança
Serei sempre, então
O teu bebezão.
Contigo estarei
Sempre que quiser
Contigo viverei
Serás minha mulher.


sábado, 8 de agosto de 2015

Tanto

Dizer-te o quanto
Amo-te tanto
É grito da voz
De uma saudade atroz.
Aniquila por dentro
Tanto sofrimento
Tenho muita sorte
De não ir à morte.
Porque tua ausência
Causa dependência
De tanto te amar
E a saudade apertar.